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PEQUENAS REDES DE SUPERMERCADOS INCOMODAM AS GRANDES


"Competir com uma grande cadeia, que enfrenta as mesmas dificuldades, a gente sabe. A questo : como se faz para competir com o pequeno? Em que o dono conhece o cliente pelo nome?", questiona Enas Pestana, presidente do Po de Acar. A sada encontrada dar autonomia aos gerentes locais e regionais que cuidam dos 1.902 pontos de venda do grupo espalhados por 19 Estados e Distrito Federal. Em meio disputa entre os scios do grupo --o francs Casino, controlador da companhia, e o empresrio brasileiro Abilio Diniz, segundo maior acionista e presidente vitalcio do conselho--, Enas diz que o importante manter o foco nos negcios. "Quem me remunera o Grupo Po de Acar." Nem a disputa dos scios nem a inflao tm afetado a varejista, que, no primeiro trimestre, viu seu lucro subir quase 70% e alcanar R$ 275 milhes. A seguir, trechos da entrevista concedida Folha. Entrevista: Graduado em cincias contbeis pela PUC-SP, Enas Pestana Neto, 50, presidente do Grupo Po de Acar Folha - A inflao tem impacto para os negcios da rede? Enas Pestana - A presso inflacionria foi mais [concentrada] na linha branca, no comeo do ano, e na parte dos alimentos. Mas nosso papel no aceitar o repasse que, muitas vezes, a indstria ou o produtor querem fazer. Na linha branca, teve um pequeno ajuste e acabou. Nos alimentos, [foi] por falta de produto, problemas climticos e sazonalidade. Essa presso afeta a forma de comprar do consumidor? Ele voltou a fazer compra do ms? No existe mais esse consumidor que estoca. No sentimos que ele est assustado com inflao e estocando. Quem comprava no Assa [atacarejo, mistura de atacado e varejo, do grupo] vai continuar comprando por causa de promoes e preo. Esse formato atinge o pequeno comerciante, o empreendedor, o vendedor de hot dog, o revendedor que tem uma pequena mercearia, alm do cliente final que faz a compra do ms de material de limpeza e de alguns outros produtos. O atacado ganha espao porque muito aguerrido em preo, mas no oferece servio algum, nem tem sacolinha. Mas aceitamos carto, e o concorrente no. Dos R$ 2 bilhes de investimento previstos, o atacarejo uma das prioridades? Cerca de 70% so para novas lojas (todas as bandeiras), com foco no Nordeste, no Centro-Oeste e no Sudeste. So dois os formatos em que estamos investindo mais: o Assa e o Minimercado Extra. No porque a gente acredita mais [neles], mas por ser o momento. Compramos o Assa em outubro de 2007, quando ele faturava R$ 1,2 bilho. Neste ano, deve passar de R$ 5 bilhes. O Assa vai dobrar a presena neste ano, de 7 para 14 Estados. Tambm h oportunidades de expanso no interior de So Paulo, na Baixada Santista. No Rio, h espao para o Po de Acar em reas mais nobres. No Norte, vamos mais devagar, queremos acompanhar melhor o crescimento. E, no Sul, no devemos ampliar, um mercado mais difcil, onde os supermercados regionais tm mais fora. Essa a maior concorrncia? As grandes redes --Walmart e Carrefour-- tm os mesmos problemas que a gente. Mas, nas microrregies, o "player" local d um trabalho danado. So os maiores concorrentes. Em Natal, h o Nordesto, com oito lojas. A loja copia tudo o que o grande faz e pode at dar uma melhorada. Mas eles no tm o poder de fogo das grandes redes... Mas tm para tomar dinheiro para fazer uma nova loja. A maior vantagem que o dono est l, no cho de loja, operando, decidindo. Conhece o cliente pelo nome, o gerente. Se quebrar uma lmpada, manda trocar e resolve tudo na hora. Ele est l. Como concorrer com eles? dando autonomia para o gerente e para as pessoas que esto na ponta, lidando com os clientes. Se a pessoa que estiver l tiver de me telefonar, passar por todo um processo de aprovao, toda vez que tiver de trocar uma lmpada, isso vai afetar o cliente. Um dos maiores desafios ter essa agilidade dos pequenos. O caminho descentralizar? Descentralizao com responsabilidade, limites e controle. assim que tem de ser. Como conduzir uma rede com 151 mil funcionrios e quase 2.000 pontos de venda? Parece simples: voc vai l, compra a mercadoria, vende, arrecada um dinheirinho, paga o fornecedor e pronto. O varejo loja a loja. Quando se discute resultado, cada microrregio tem um concorrente, hbitos de consumo e especificidades diferentes. E no precisa nem comparar So Paulo com Natal. A loja da praa Panamericana e a da zona leste so totalmente diferentes, desde a exposio de um produto at o layout. A companhia passou por reestruturaes. Foi preciso dar um recado de que os negcios estavam indo bem? As reorganizaes so necessrias por diferentes motivos. No caso da Via Varejo (Casas Bahia, Ponto Frio e vendas on-line), o foco foi aumentar a lucratividade, reduzir as despesas operacionais. No d para esperar cair a lucratividade para reduzir despesa. A cada dois ou trs anos fao questo de rever modelos, estruturas, para garantir agilidade. Uma companhia grande tende a ficar lenta. De tempos em tempos tem de voltar para o bsico, no d para inventar moda. Como comandar uma companhia em meio a uma disputa acirrada entre os scios? Quem me remunera o grupo Po de Acar, no sou remunerado pelos acionistas. Nem por um lado nem pelo outro. Trabalho focado nos interesses dessa companhia, e a minha orientao para o time, quase uma exigncia, : foco no negcio. No afeta os negcios? [A disputa] Ela existe. A gente l nos jornais. As pessoas sabem, mas minha recomendao : vamos focar no trabalho. A gente tem seguido assim e tem funcionado. Fazemos reunies semanais de resultados, negcio a negcio. Verificamos como as lojas esto em cada regio. Nem que a pessoa quisesse se distrair com outra coisa iria conseguir porque no d tempo. Varejo acordar cedinho e trabalhar como um louco para conseguir dar conta. No tem complexidade, no a Nasa, nem o Vale do Silcio. fazer o arroz com feijo, todo dia, o bsico, com vontade de servir. Isso o varejo. E o clima da cozinha? No. Se voc est focado no seu trabalho, na sua responsabilidade, certamente far um excelente jantar. * RAIO-X ENAS PESTANA NETO IDADE 50 anos CARGO Presidente do Grupo Po de Acar FORMAO Graduou-se em cincias contbeis pela PUC-SP CARREIRA Foi diretor financeiro no Po de Acar e atuou na Diagnsticos da Amrica, no GP Investimentos e no grupo Carrefour Fonte: Adriano Vizoni/Folhapress

Notícia publicada em: 12/05/2013

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